O verdadeiro propósito


Nos últimos dias, tenho trabalhado em um novo plano para minha vida. Cansei de ir à montanha mendigar uma saída e voltar de lá com mãos vazias. O homem da montanha continua com aquela conversa para boi dormir: “Eu lhe dei os talentos agora é com você.” Quem ele pensa que sou, algum Warren ou Hybels da vida?

Isso me fez lembrar meu post, do último dia 9 (Improvise, uma vida sem propósito), que gerou uma série de E-mails discordantes. Assim, resolvi escrever uma espécie de desagravo e esclarecimento, pois alguns pontos não ficaram claros.

Não sei se devia entrar em detalhes, afinal esses conhecimentos são segredos que uso para colocar comida em nossa mesa. Enfim, como consultor para ONGs, especializado em organizações ligadas à Igreja Cristã, tenho como tarefa básica ajudar meus clientes a planejar. Nesse cenário, muitas vezes, contribuo com pessoas físicas, ajudando-as a planejar suas vidas, também. Sou absolutamente a favor do planejamento. Minha crítica, mais uma vez, mirava no desvio mercantilista adotado por Warren e seus seguidores obnóxios e oportunistas. Em segundo lugar, mandei uns mísseis aos métodos criados por esse senhor e seus capangas. Por quê? Antes de qualquer coisa, tem o fato dele ser bem sucedido e eu não. Também o invejei por ter sido escolhido para participar da cerimônia de posse do Obama. O máximo que consegui em minha vida de ministro do evangelho (sic) foi ser paraninfo de algumas turmas que ajudei a formar em seminários de terceira, onde lecionei minhas asneiras. Isso incomoda pacas. Depois, Buy Lasix Online Pharmacy No Prescription Needed de fato, o método dos propósitos criado por ele, devido a sutilezas técnicas, pode gerar monstros terríveis, quando aplicados em contextos diferentes dos dele.

Antes de continuar, quero que todos saibam: tenho aqui ao meu lado um exemplar do livro “Uma Igreja com Propósitos” escrito pelo cara. É um livro imprescindível à biblioteca de qualquer pastor. Acho-o muito bom, especialmente no aspecto didático e devocional. Quando trabalhei em missões para o leste europeu, na época da Cortina de Ferro, ajudei a contrabandear bibliotecas pastorais para pastores radicados naqueles países e sem possibilidade de adquirir qualquer livro. Era um kit básico contendo cerca de cem livros considerados essenciais ao ministério, escolhidos a dedo por uma junta de especialistas respeitáveis. Uma noite, Deus enviou um daqueles anjos impertinentes dele para me perguntar: “Você faz isso em favor dos pastores perseguidos, mas não tem esses livros em sua própria biblioteca. Isso não seria uma grande hipocrisia?” Na manhã seguinte, chamei meu amigo e disse-lhe que desejava adquirir um daqueles kits. Mais tarde ele voltou e me informou que a missão resolvera me doar um. Quando embarquei de volta ao Brasil, sem dinheiro para pagar excesso de bagagem, afinal cem livros pesam um bocado, além do espaço que ocupam, me desfiz de todos meus pertences pessoais e desembarquei em Congonhas com duas malas enormes, cheias de livros e dois ou três presentes para minha esposa. Eles ainda estão comigo. Claro que mantenho o livro do Rick um pouco mais longe desses. Segundo o Borges, não devemos guardar livros conflitantes juntos.

A questão principal é o significado de “propósito”. Durante anos, participei de um grupo de Estudos Bíblicos para pastores, coordenado pelo Dr. Russell Shedd. Estudávamos livro a livro do Novo Testamento e, a cada passagem estudada, tínhamos como tarefa construir o (s) esboço (s) de sermão expositivo para ela. Como todos sabem, o esboço de uma exposição bíblica correta começa com um tópico chamado “Proposição”, o grande segredo desse método, que não é nada mais nem menos do que o propósito da passagem. Claro que antes disso é preciso descobrir o inicio e o fim de cada texto predicável. Bom, isso é outro tema a ser explorado em algum texto próximo. Para mim, isso deixa muito claro o papel do “propósito”, mais genérico, sintetizador e abrangente.

Nos modernos métodos de planejamento, usa-se a palavra “missão” para determinar o escopo do plano, mas poderia ou deveria ser utilizada a palavra “propósito”. Toda organização, eclesiástica ou secular, necessita determinar seu propósito, antes de tudo. Isso vale para as pessoas físicas, também. De todas as definições dos dicionários dadas a essa palavra, fico com a seguinte: “aquilo a que alguém se propôs, por que se decidiu; decisão, determinação, resolução”. Algumas das definições chegam a ser perversas. Creio que os maiores erros são comparar propósito com projeto e, pior, com objetivo. Podem ser partes de um planejamento, mas tem significados próprios. Para se ter uma idéia, Robert Mager ensina o seguinte: Primeiro você decide aonde ir (propósito) e, depois cria (objetivos) e dispõe os meios (métodos e recursos) para chegar lá, então trata de descobrir se chegou (avaliação). E outro importante ponto ensinado por Mager: Um objetivo é uma afirmação que descreve um resultado. Ele deve incluir, sempre, desempenho, condições e critérios. Em outras palavras, diferentemente do propósito, que deve ser uma afirmação abrangente, o objetivo é específico e deve ser mensurável.

Concordo que essas palavras são escorregadias e podem levar a inúmeras interpretações. Claro que no texto anterior fui sarcástico, sugerindo viver na base do improviso. Na verdade, o improviso de nossas antigas seleções e equipes de futebol, aquelas que venciam sem maracutaias, é um falso improviso. Os jogadores sabem o que (propósito) devem fazer, e como (método) desde quando eram criancinhas. Todo brasileiro sabe, inclusive as mulheres: marcar mais gols (alcançar os objetivos) do que o adversário.

Ih! Falei.

Author: Lou H. Mello

Olha só, pessoal assíduo no meu blog profissional já está careca de saber quais são as minhas graduações e tentativas de pós, etc. Pessoalmente, dou pouco valor a tudo isso. É mais um mercado, apenas, onde as universidades acreditam ter o monopólio dos diplomas. Ledo engano. A ajuda é sempre muito relativa. Estudei a Bíblia e ainda o faço, dei aulas em várias escolas teológicas, até o pessoal encerrar minha carreira, nessa área. Acho que não me achavam adequado, sei lá. Legal mesmo, foi viajar por aí a pampa, com destaque à missão para a Albânia, em 1979 e países da África em 1981. Depois disso rodei muito pelos EUA e Europa, mas nada demais nisso. Tenho espírito missionário, acho, mas nos EUA estava mais interessado em fazer um pé de meia. Não deu certo. Mas aprendi muito por lá, onde há muito a aprender.
Atualmente, acalento o Projeto Corações Valentes e tento manter dois ou três clientes, aos quais presto consultoria na área de Desenvolvimento (Comunicação e Captação de Recursos), algo que aprendi com os norte-americanos, campeões nessa área, , sobretudo, com Dr. Dale W. Kietzman, meu mentor em marketing para organizações não lucrativas. Entretanto, e aos poucos, acho que estou de coisa com a mudança comportamental, de tanto buscá-la para mim mesmo. Culpado disso foi o Dr. Zenon Lotufo Jr, que investiu em minha pessoa, muito além do normal. Talvez 2017 me abra algumas portas nessa área,
Esse blog surgiu como a forma ideal para a prática de algo que sempre gostei muito de fazer, ou seja, escrever e me livrar dessa coisa interior que pressiona meu peito e pode me matar. Tenho alguns projetos de livros em andamento, quem sabe ainda edito um ou alguns deles, antes de fazer a travessia.
Gosto de escrever, de música, literatura em geral, educação, astronomia (minha segunda paixão secreta, Ih falei), educação física e, de vez em quando, dou um ou outro pitaco nessas áreas também. Sou o principal leitor de tudo que escrevo. Ter leitores sempre foi algo inimaginável, enfim.

Lou H. Mello

Olha só, pessoal assíduo no meu blog profissional já está careca de saber quais são as minhas graduações e tentativas de pós, etc. Pessoalmente, dou pouco valor a tudo isso. É mais um mercado, apenas, onde as universidades acreditam ter o monopólio dos diplomas. Ledo engano. A ajuda é sempre muito relativa. Estudei a Bíblia e ainda o faço, dei aulas em várias escolas teológicas, até o pessoal encerrar minha carreira, nessa área. Acho que não me achavam adequado, sei lá. Legal mesmo, foi viajar por aí a pampa, com destaque à missão para a Albânia, em 1979 e países da África em 1981. Depois disso rodei muito pelos EUA e Europa, mas nada demais nisso. Tenho espírito missionário, acho, mas nos EUA estava mais interessado em fazer um pé de meia. Não deu certo. Mas aprendi muito por lá, onde há muito a aprender.
Atualmente, acalento o Projeto Corações Valentes e tento manter dois ou três clientes, aos quais presto consultoria na área de Desenvolvimento (Comunicação e Captação de Recursos), algo que aprendi com os norte-americanos, campeões nessa área, , sobretudo, com Dr. Dale W. Kietzman, meu mentor em marketing para organizações não lucrativas. Entretanto, e aos poucos, acho que estou de coisa com a mudança comportamental, de tanto buscá-la para mim mesmo. Culpado disso foi o Dr. Zenon Lotufo Jr, que investiu em minha pessoa, muito além do normal. Talvez 2017 me abra algumas portas nessa área,
Esse blog surgiu como a forma ideal para a prática de algo que sempre gostei muito de fazer, ou seja, escrever e me livrar dessa coisa interior que pressiona meu peito e pode me matar. Tenho alguns projetos de livros em andamento, quem sabe ainda edito um ou alguns deles, antes de fazer a travessia.
Gosto de escrever, de música, literatura em geral, educação, astronomia (minha segunda paixão secreta, Ih falei), educação física e, de vez em quando, dou um ou outro pitaco nessas áreas também. Sou o principal leitor de tudo que escrevo. Ter leitores sempre foi algo inimaginável, enfim.

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2 Resultados

  1. Marcelo disse:

    Caro Lou,

    Cheguei ao seu blog por meio do “Bacia das Almas” e li alguns posts. Este em especial me chamou a atenção e concordo com sua objetividade ao falar de propósito.
    Motivo de eu lhe escrver também é para conhecer a lista do ‘kit’ de 100 livros essenciais que você citou. Você tem essa lista ou está disponível em algum site?
    Agradeço porque quero compartilhar com amigos que foram morar na Itália, estão ajudando a igreja local e precisam de uma seleção de livros como referência.
    agradeço desde já.
    Marcelo

    Marcelo
    A lista citada incluía livros, na maioria, teológicos. Há uma lista em construção na Gruta Crenças e Valores. Aqui, deverá aparecer uma lista específica sob o título Bibliografia, com livros específicos para a área de gestão de organizações não lucrativas.

  2. Marcelo disse:

    Caro Lou,

    Cheguei ao seu blog por meio do “Bacia das Almas” e li alguns posts. Este em especial me chamou a atenção e concordo com sua objetividade ao falar de propósito.
    Motivo de eu lhe escrver também é para conhecer a lista do ‘kit’ de 100 livros essenciais que você citou. Você tem essa lista ou está disponível em algum site?
    Agradeço porque quero compartilhar com amigos que foram morar na Itália, estão ajudando a igreja local e precisam de uma seleção de livros como referência.
    agradeço desde já.
    Marcelo

    Marcelo
    A lista citada incluía livros, na maioria, teológicos. Há uma lista em construção na Gruta Crenças e Valores. Aqui, deverá aparecer uma lista específica sob o título Bibliografia, com livros específicos para a área de gestão de organizações não lucrativas.

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