O Segredo do Sucesso

Gerald M. Weinberg

O Livro


Paulo Brabo *1

Já li mais livros sobre técnicas de administração, gerenciamento de pessoas e sucesso corporativo do que meu estômago pode suportar impunemente; cheguei, perdoem-me os céus, a traduzir alguns. No meio desse lodaçal de mediocridade e redundância a exceção mais brilhante permanece sendo (não julgue o livro pela capa – ou pelo título) Consultoria – O Segredo do Sucesso, de Gerald M. Weinberg (The Secrets of Consulting, publicado no Brasil pela McGraw Hill em 1990, esgotado).

Weinberg é um cara peculiar. Consultor de tecnologia da informação, sua curiosa especialidade (se é que posso atribuir-lhe essa falha; a especialização é sempre uma desvantagem, particularmente num consultor) é a psicologia e a antropologia do desenvolvimento de software. Mais recentemente Weinberg abandonou a estante de não-ficção e começou a escrever histórias de ficção científica, argumentando que a narrativa é a forma mais poderosa de comunicação e de transformação entre seres humanos.

Como descrever o estilo do sujeito? Fluente? Bem-humorado? Xamânico? Tangencial? O subtítulo original de O Segredo do Sucesso explica um pouco melhor a pegada universal do estilo de Weinberg: Um guia para se dar e se receber conselhos de forma bem sucedida.

Consultor é o improvável profissional que recebe dinheiro para dar conselhos a empresas. À primeira vista, pode parecer que o segredo do sucesso do consultor está em ser capaz de [1] diagnosticar com acerto a condição de uma instituição e [2] delinear as recomendações adequadas para reverter ou aprimorar essa situação. Segundo Weiberg, essa é a parte fácil. Difícil mesmo, e particularmente arriscado para a reputação do consultor, é [3] fazer com que a empresa implemente as mudanças que você afirma que são necessárias.

Certifique-se de cobrar o bastante para que coloquem em prática as suas recomendações.

Uma das regras essenciais da consultoria segundo Weinberg é, portanto “certifique-se de cobrar o bastante [como consultor] para que [aqueles que estão contratando você] coloquem em prática as suas recomendações”. Caso contrário, se o serviço do consultor não parecer “caro o bastante” para aqueles que o estão contratando, esses poderão sentir-se tentados a não levar a sério as sugestões dele – pelo menos não ao ponto de fazerem o esforço final de colocarem-nas em prática.

Ser barato demais é, portanto, pecado mortal para a reputação e para a eficácia de um consultor. Ele corre o risco de não ver implantadas as soluções que sabe necessárias. Quando estiver vendendo conselhos portando, vale a regra: na dúvida, cobre mais caro.

* * *

Nisso está, naturalmente, o mecanismo
segredo do sucesso das religiões que aliam promessas atraentes a regras rígidas, padrões exigentes de comportamento e rituais elaborados e repetitivos. Quanto maior for o preço comportamental exigido pela religião, maior é a probabilidade de que o cultuante sinta-se inclinado a acreditar nas suas sugestões.

Quando for inventar uma religião, portanto, certifique-se de cobrar o bastante para que as pessoas que estão pagando em renúncias pessoais e ofertas monetárias acreditem nos conselhos que você está dando.

Aqui reside, obviamente, a falha fundamental no planejamento de marketing do cristianismo: o fato de estar fundamentado na graça – ou seja, em preço nenhum. Como Jesus não cobra nada, ninguém se sente nem de perto tentado a levar a sério o que ele diz – quanto mais colocá-lo em prática. O barato sai caro, porque ninguém quer comprar.

Melhor seria para os cristãos, antes que nos vejamos obrigados a fechar a porta da lojinha, contratar um consultor que nos ensine a vender por bom preço o que Jesus está oferecendo de graça. Afinal de contas, será com a melhor das boas intenções: Jesus terá os convertidos que quer, o crente será poupado da liberdade que não quer e nós idealizadores desfrutaremos apenas da recompensa pecuniária pela nobreza dos nossos esforços.

Todo mundo sairá ganhando – se isso não é graça, não sei dizer o que é.

*¹: Clonado sem qualquer autorização prévia. Poderia ser diferente se o responsável respondesse meus e-mails.



Author: Lou H. Mello

Olha só, pessoal assíduo no meu blog profissional já está careca de saber quais são as minhas graduações e tentativas de pós, etc. Pessoalmente, dou pouco valor a tudo isso. É mais um mercado, apenas, onde as universidades acreditam ter o monopólio dos diplomas. Ledo engano. A ajuda é sempre muito relativa. Estudei a Bíblia e ainda o faço, dei aulas em várias escolas teológicas, até o pessoal encerrar minha carreira, nessa área. Acho que não me achavam adequado, sei lá. Legal mesmo, foi viajar por aí a pampa, com destaque à missão para a Albânia, em 1979 e países da África em 1981. Depois disso rodei muito pelos EUA e Europa, mas nada demais nisso. Tenho espírito missionário, acho, mas nos EUA estava mais interessado em fazer um pé de meia. Não deu certo. Mas aprendi muito por lá, onde há muito a aprender.
Atualmente, acalento o Projeto Corações Valentes e tento manter dois ou três clientes, aos quais presto consultoria na área de Desenvolvimento (Comunicação e Captação de Recursos), algo que aprendi com os norte-americanos, campeões nessa área, , sobretudo, com Dr. Dale W. Kietzman, meu mentor em marketing para organizações não lucrativas. Entretanto, e aos poucos, acho que estou de coisa com a mudança comportamental, de tanto buscá-la para mim mesmo. Culpado disso foi o Dr. Zenon Lotufo Jr, que investiu em minha pessoa, muito além do normal. Talvez 2017 me abra algumas portas nessa área,
Esse blog surgiu como a forma ideal para a prática de algo que sempre gostei muito de fazer, ou seja, escrever e me livrar dessa coisa interior que pressiona meu peito e pode me matar. Tenho alguns projetos de livros em andamento, quem sabe ainda edito um ou alguns deles, antes de fazer a travessia.
Gosto de escrever, de música, literatura em geral, educação, astronomia (minha segunda paixão secreta, Ih falei), educação física e, de vez em quando, dou um ou outro pitaco nessas áreas também. Sou o principal leitor de tudo que escrevo. Ter leitores sempre foi algo inimaginável, enfim.

Lou H. Mello

Olha só, pessoal assíduo no meu blog profissional já está careca de saber quais são as minhas graduações e tentativas de pós, etc. Pessoalmente, dou pouco valor a tudo isso. É mais um mercado, apenas, onde as universidades acreditam ter o monopólio dos diplomas. Ledo engano. A ajuda é sempre muito relativa. Estudei a Bíblia e ainda o faço, dei aulas em várias escolas teológicas, até o pessoal encerrar minha carreira, nessa área. Acho que não me achavam adequado, sei lá. Legal mesmo, foi viajar por aí a pampa, com destaque à missão para a Albânia, em 1979 e países da África em 1981. Depois disso rodei muito pelos EUA e Europa, mas nada demais nisso. Tenho espírito missionário, acho, mas nos EUA estava mais interessado em fazer um pé de meia. Não deu certo. Mas aprendi muito por lá, onde há muito a aprender.
Atualmente, acalento o Projeto Corações Valentes e tento manter dois ou três clientes, aos quais presto consultoria na área de Desenvolvimento (Comunicação e Captação de Recursos), algo que aprendi com os norte-americanos, campeões nessa área, , sobretudo, com Dr. Dale W. Kietzman, meu mentor em marketing para organizações não lucrativas. Entretanto, e aos poucos, acho que estou de coisa com a mudança comportamental, de tanto buscá-la para mim mesmo. Culpado disso foi o Dr. Zenon Lotufo Jr, que investiu em minha pessoa, muito além do normal. Talvez 2017 me abra algumas portas nessa área,
Esse blog surgiu como a forma ideal para a prática de algo que sempre gostei muito de fazer, ou seja, escrever e me livrar dessa coisa interior que pressiona meu peito e pode me matar. Tenho alguns projetos de livros em andamento, quem sabe ainda edito um ou alguns deles, antes de fazer a travessia.
Gosto de escrever, de música, literatura em geral, educação, astronomia (minha segunda paixão secreta, Ih falei), educação física e, de vez em quando, dou um ou outro pitaco nessas áreas também. Sou o principal leitor de tudo que escrevo. Ter leitores sempre foi algo inimaginável, enfim.

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