Nosso objetivo são as pessoas

Ontem, participei de uma missa/culto na Catedral Anglicana de São Paulo. do centésimo dia da partida de um amigo para outro plano, no ano passado.

Não sei se é por força do hábito, mas acabo sempre avaliando a performance geral dos eventos. Brincando, havia ali mais de quinhentas pessoas presentes, salvo engano. As contas começam a multiplicar, somar, diminuir e dividir, na minha cuca. Sou do tempo em que não se usava calculadora de forma alguma e em lugar nenhum.

Tenho essa tendência em permitir à minha mente fazer contas sem parar. Imagine você, que quando entro em uma estrada para viajar, não preciso pensar em calcular quanto tempo vou levar para chegar em meu destino.

Sem pedir, já aparece a fórmula v=e/t e em segundos já sei a que horas chegarei, se mantiver a velocidade média usada para o cálculo. Eu adoto uma velocidade de dez Kms abaixo do limite determinado pela lei.

Mas, pelo visto, clérigos não são muito bons em contas, tirando o Mala…, claro, ele e outros do estilo dele.

Imagine você reunir 500 pessoas todas as quartas-feiras em sua Igreja. Certamente, aos domingos a frequência dobra. Só tem um problema, aqui, se as pessoas comparecem e não são identificadas, cadastradas ou algo assim, sua igreja está colecionando perdas.

Permaneci junto com meus amigos, que não são frequentadores assíduos daquela igreja, cerca de duas horas lá. E ninguém me entregou uma ficha cadastral com o vale brinde a ser retirado no final do serviço religioso. Acredita?

Não são só as igrejas que erram nesse quesito. Sempre que alguém ligado a alguma organização filantrópica me relata um evento realizado, a primeira pergunta que faço a ela é se eles cadastraram todos os presentes. Noventa e nove por cento das vezes a resposta é negativa. Não fazem porque não sabem, ou seus objetivos estão trocados.

Depois, o padre/pastor, muito engraçado por sinal, gastou mais tempo fazendo anúncios (sobre o evento do dia dos namorados em breve, do jantar pra num sei o que, da lanchonete sempre à disposição de todos, antes e depois do culto, dos livrinhos infantis, dos vídeos bzbzbz, etc.) do que no tratar das coisas de Deus.

E olha que no todo, ele até que conseguiu criar algum clima, como na hora da comunhão. Até eu participei, já que era franqueada a todos os presentes; ou na hora do breve sermão, embora ele ainda tenha feito um ou dois comerciais nessa hora, também. Com isso, ele se desgasta, tanto física como moralmente, pois não pega bem pastores, padres e outros clérigos ávidos por grana, fora o acréscimo de tempo ao serviço do culto, com isso.

Apesar de lidar com marketing, tenho algum treinamento em teologia eclesiástica e entendo a necessidade do titular do culto estar preservado para tratar só das coisas de Deus.

Nesse caso, sou obrigado a dar um desconto para o pastor/padre, pois, logo no início do culto, ele resmungou sobre a falta de ajudantes e que ele estaria fazendo quase tudo na Igreja, do culto ao jardim.

O que todos os marqueteiros das organizações não lucrativas precisam saber e guardar para sempre é que nós lidamos com pessoas, nas duas pontas, primeiro porque elas são o objeto principal do nosso trabalho e segundo, porque precisamos de pessoas na outra ponta nos ajudando a manter nossos serviços. Então, precisamos fazer o maior número de amigos possível. Amigos verdadeiros nos ajudam quando precisamos.

Caso esteja pensando só em dinheiro, esqueça. No nosso trabalho, precisamos e continuaremos a precisar muito mais que dinheiro para sermos capazes de apoiar às pessoas com necessidades que servimos.

Outro detalhe interessante é que tínhamos vergonha de usar o nome “marketing” nos trabalhos eclesiásticos, até o fim da década de oitenta. Na primeira organização missionária onde trabalhei e fiz meus primeiros contatos imediatos de primeiro grau, na área, não usávamos a palavra marketing, mas fazíamos marketing sob o codinome “desenvolvimento”.

O falecido, Pr. Ary Velloso que considerava um bom amigo e excelente pastor, vivia propagando o trabalho do pastor da primeira igreja batista de Dallas – Texas, por seu monumental trabalho pastoral.

Entretanto, esse pastor escreveu um livro que foi famoso nessa época, detonando o uso de marketing na igreja. Imagine se ele soubesse algo sobre marketing, teria destronado um dos apóstolos de Jesus, ao menos.

Se o seu marketing para organizações sem fins lucrativos está à caça de dinheiro, então você está precisando fazer amizade comigo, com certeza. É o mesmo erro do compulsivo por álcool quando tenta parar sem observar o primeiro passo para tanto, ou seja aceitar que é um alcoólatra.

Se você se diz um captador de recursos e não aceita que seu trabalho é captar pessoas, esquece e procura qualquer outra coisa pra fazer. Dizem que está faltando motoristas de táxi no mercado. Quem sabe?

No início dessa série, tratarei de alguns tópicos gerais, ou seja, de interesse da galera das organizações sem fins lucrativos, em geral e, em certo ponto, entraremos na seara do marketing para igrejas e organizações congêneres.

Author: Lou H. Mello

Olha só, pessoal assíduo no meu blog profissional já está careca de saber quais são as minhas graduações e tentativas de pós, etc. Pessoalmente, dou pouco valor a tudo isso. É mais um mercado, apenas, onde as universidades acreditam ter o monopólio dos diplomas. Ledo engano. A ajuda é sempre muito relativa. Estudei a Bíblia e ainda o faço, dei aulas em várias escolas teológicas, até o pessoal encerrar minha carreira, nessa área. Acho que não me achavam adequado, sei lá. Legal mesmo, foi viajar por aí a pampa, com destaque à missão para a Albânia, em 1979 e países da África em 1981. Depois disso rodei muito pelos EUA e Europa, mas nada demais nisso. Tenho espírito missionário, acho, mas nos EUA estava mais interessado em fazer um pé de meia. Não deu certo. Mas aprendi muito por lá, onde há muito a aprender.
Atualmente, acalento o Projeto Corações Valentes e tento manter dois ou três clientes, aos quais presto consultoria na área de Desenvolvimento (Comunicação e Captação de Recursos), algo que aprendi com os norte-americanos, campeões nessa área, , sobretudo, com Dr. Dale W. Kietzman, meu mentor em marketing para organizações não lucrativas. Entretanto, e aos poucos, acho que estou de coisa com a mudança comportamental, de tanto buscá-la para mim mesmo. Culpado disso foi o Dr. Zenon Lotufo Jr, que investiu em minha pessoa, muito além do normal. Talvez 2017 me abra algumas portas nessa área,
Esse blog surgiu como a forma ideal para a prática de algo que sempre gostei muito de fazer, ou seja, escrever e me livrar dessa coisa interior que pressiona meu peito e pode me matar. Tenho alguns projetos de livros em andamento, quem sabe ainda edito um ou alguns deles, antes de fazer a travessia.
Gosto de escrever, de música, literatura em geral, educação, astronomia (minha segunda paixão secreta, Ih falei), educação física e, de vez em quando, dou um ou outro pitaco nessas áreas também. Sou o principal leitor de tudo que escrevo. Ter leitores sempre foi algo inimaginável, enfim.

Lou H. Mello

Olha só, pessoal assíduo no meu blog profissional já está careca de saber quais são as minhas graduações e tentativas de pós, etc. Pessoalmente, dou pouco valor a tudo isso. É mais um mercado, apenas, onde as universidades acreditam ter o monopólio dos diplomas. Ledo engano. A ajuda é sempre muito relativa. Estudei a Bíblia e ainda o faço, dei aulas em várias escolas teológicas, até o pessoal encerrar minha carreira, nessa área. Acho que não me achavam adequado, sei lá. Legal mesmo, foi viajar por aí a pampa, com destaque à missão para a Albânia, em 1979 e países da África em 1981. Depois disso rodei muito pelos EUA e Europa, mas nada demais nisso. Tenho espírito missionário, acho, mas nos EUA estava mais interessado em fazer um pé de meia. Não deu certo. Mas aprendi muito por lá, onde há muito a aprender.
Atualmente, acalento o Projeto Corações Valentes e tento manter dois ou três clientes, aos quais presto consultoria na área de Desenvolvimento (Comunicação e Captação de Recursos), algo que aprendi com os norte-americanos, campeões nessa área, , sobretudo, com Dr. Dale W. Kietzman, meu mentor em marketing para organizações não lucrativas. Entretanto, e aos poucos, acho que estou de coisa com a mudança comportamental, de tanto buscá-la para mim mesmo. Culpado disso foi o Dr. Zenon Lotufo Jr, que investiu em minha pessoa, muito além do normal. Talvez 2017 me abra algumas portas nessa área,
Esse blog surgiu como a forma ideal para a prática de algo que sempre gostei muito de fazer, ou seja, escrever e me livrar dessa coisa interior que pressiona meu peito e pode me matar. Tenho alguns projetos de livros em andamento, quem sabe ainda edito um ou alguns deles, antes de fazer a travessia.
Gosto de escrever, de música, literatura em geral, educação, astronomia (minha segunda paixão secreta, Ih falei), educação física e, de vez em quando, dou um ou outro pitaco nessas áreas também. Sou o principal leitor de tudo que escrevo. Ter leitores sempre foi algo inimaginável, enfim.

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