A mulher de US$ 80 bilhões

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Melinda Gates comanda a maior fundação privada do planeta e está doando quase toda a fortuna da família. Conheça seus planos e entenda o que inspira ela e o marido, Bill Gates, a distribuir tanto dinheiro

21/10/2016 20:00

Por: Hugo Cilo, de São Francisco (EUA)

Fonte Publicada por ISTOÉ Dinheiro.

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Melinda Gates, CEO da Fundação Gates: “Todos nós, com ou sem dinheiro, temos a capacidade de melhorar a vida de alguém” ( foto: Alain Grosclaude/afp)

Uma mulher discreta, sem maquiagem ou joias, roupas simples e sapatos que geralmente agradam mais pelo conforto do que pela estética, chegou no início deste mês a um dos maiores eventos de tecnologia do mundo, a Dreamforce, em São Francisco, sem despertar a atenção da grande maioria dos cerca de 170 mil participantes. Não fossem pelos quatro seguranças de ternos pretos e microfones nos ouvidos que a cercavam, poucos reconheceriam que se tratava de Melinda Gates, mulher do homem mais rico do mundo, Bill Gates, o emblemático fundador da Microsoft.

Mas não demorou muito para que ela se tornasse o centro das atenções do salão principal do Moscone Center, o megacomplexo de convenções que, naquela semana, abrigava gente de todas as origens e tribos – de monges tibetanos e homens engravatados a elegantes mulheres árabes de turbantes e túnicas, além, evidentemente, de nerds, geeks e afins. “Se soubesse que tanta gente viria me ouvir, teria trazido o Bill para me ajudar a responder”, brincou Melinda, antes de iniciar uma espécie de talk show. O interesse da multidão em escutar o que Melinda, 52 anos, tinha a dizer se explica, principalmente, pelo que ela representa no campo da filantropia.

À frente da Bill & Melinda Gates Foundation, popularmente conhecida como Fundação Gates, ela comanda o maior fundo privado dedicado a causas humanitárias em todo o mundo. Ninguém tem o mesmo poder de fogo. Somente a fundação, que recebe doações de outros bilionários, como o megainvestidor Warren Buffett, dispõe de uma fortuna de US$ 40 bilhões para ser gasta em projetos sociais. E Melinda tem, ainda, carta branca para doar tudo o que puder dos bilhões e bilhões de dólares que ela e o marido acumularam até hoje.

Atualmente, cerca de US$ 40 bilhões da fortuna de Gates já está reservada para a filantropia, o que dá a Melinda, somado ao orçamento da fundação, o poder de distribuir uma bolada de US$ 80 bilhões para programas de ajuda aos mais carentes, especialmente em países pobres da África. Essa cifra pode aumentar no futuro, conforme o valor das ações doadas à Fundação Gates. Segundo a Bloomberg, a fortuna atual da família é avaliada em US$ 90 bilhões. Antes de morrer, o casal deixará apenas US$ 10 milhões para cada um dos três filhos. O restante será doado. 

“O dinheiro só tem valor se, de alguma forma, puder ajudar alguém a ter dignidade e uma vida melhor”, disse Melinda à DINHEIRO. “Bill e eu criamos esse desejo de doar o que pudermos aos mais necessitados desde os tempos de noivado, quando fizemos nossa primeira viagem de férias à África.” Ela se refere a um safári em Zanzibar, na Tanzânia, em 1993, que mudou a visão de mundo do casal. Em sintonia com seu estilo simples, Melinda evita o rótulo de generosa. Embora os US$ 35,5 bilhões doados pela sua fundação até hoje tenham salvado a vida de mais de cinco milhões de crianças desde 2000, pelos cálculos da Science Progress, Melinda garante que o esforço de combate às desigualdades deve ser incorporado às estratégias das empresas.

“Não se trata de generosidade. Só não podemos aceitar, como seres humanos, que crianças continuem morrendo de diarreia e rotavírus, algo que pode ser curado com um remédio barato em qualquer farmácia dos Estados Unidos”, disse Melinda. “Todos nós, com ou sem dinheiro, temos a capacidade de melhorar a vida de alguém.” Com esse discurso, Melinda tem convencido outros bilionários a seguirem o mesmo caminho, doando para a filantropia boa parte da riqueza que acumularam durante a vida. É o caso, por exemplo, de Buffett, o maior apoiador da Fundação Gates.

Entre 2006 e 2015, por meio do Berkshire Hathaway, ele doou US$ 17,3 bilhões ao fundo, cerca de 30% de sua fortuna. E a lista de bilionários doadores fica mais extensa a cada dia. O fundador da Oracle, Larry Ellison, o criador do Facebook, Mark Zuckerberg – que decidiu criar sua própria fundação e doará 99% das ações da companhia – e até o brasileiro Elie Horn, dono da construtora Cyrela, que promete doar 60% da sua fortuna estimada em US$ 1 bilhão, fazem parte do The Giving Pledge (“O compromisso de doação”), um clube idealizado por Gates e Buffett formado, atualmente, por 156 bilionários.

Juntos, eles irão doar algo próximo de US$ 335 bilhões. “Não levaremos nada conosco para o outro mundo”, disse Horn, em declaração publicada no site da The Giving Pledge. “As únicas coisas que ficam são as boas ações que realizarmos neste mundo.” O ato de doar milhões ou bilhões de dólares representa, evidentemente, um gesto nobre de desapego. Mas não se trata apenas disso. A lei de heranças nos Estados Unidos morde entre 29% e 50% da fortuna dos mais ricos. A única maneira legal de amansar o Leão é distribuir polpudos donativos em vida, evitando que boa parte da fortuna pessoal seja socializada depois pelas mãos dos burocratas do governo.

Portanto, fica mais fácil entender porque os americanos doaram US$ 373,2 bilhões para causas sociais no ano passado, o equivalente a pouco mais de US$ 1 bilhão por dia. Deste total, pouco mais de 70% vieram de doações individuais. No Brasil, onde o benefício tributário é mais modesto e o imposto sobre herança é de 3,86%, as doações individuais alcançaram somente R$ 13,7 bilhões em 2015, segundo o Instituto pelo Desenvolvimento do Investimento Social. Nos próximos anos, tanto as cifras quanto o alcance dos projetos da Fundação Gates deverão conquistar dimensões ainda muito maiores.

Quanto mais doações Melinda conseguir catalisar, mais projetos serão financiados. “Sonho com o dia em que empresas e pessoas físicas incluam em suas planilhas de orçamento uma parcela para ajudar o próximo”, afirma Melinda. “E não importa quanto possuímos, se são bilhões de dólares ou pouco dinheiro, mas como esse recurso está sendo usado, com eficiência e inteligência.” E Melinda, uma texana formada em ciência da computação e mestre em administração de empresas, ambas pela Universidade Duke, afirma que não tem medido esforços para conseguir seguidores. “Ultimamente, tenho percebido um aumento do interesse de empresários, que ligam para nós se oferecendo para doar”, afirma.

A sua capacidade em atrair recursos para a filantropia tem sido diretamente proporcional ao aumento de sua influência no universo da política. Não é raro vê-la ao lado de personalidades que vão desde o Papa Francisco e a chanceler alemã Ângela Merkel até o ativista e líder da banda irlandesa U2, Bono Vox. O presidente Barack Obama e a primeira-dama Michelle também são figuras recorrentes dos encontros promovidos por Melinda. Uma das suas frentes de maior destaque no cenário internacional é o trabalho voltado à capacitação de mulheres e meninas em comunidades carentes ou marcadas pelo machismo.

Há quatro anos, Melinda lançou a Cúpula de Londres Sobre Planejamento Familiar, um grupo formado por pessoas de várias partes do mundo, dedicado a encontrar soluções para os problemas mais recorrentes enfrentados pelas mulheres nesse campo. De 2012 a 2020, mais de 120 milhões de mulheres receberão regularmente lotes de anticoncepcionais, além de orientação de como evitar a contaminação por doenças sexualmente transmissíveis. “Qualquer transformação de uma sociedade passa pela mulher”, diz Melinda. “As mulheres são o alicerce das famílias, das comunidades, dos países.”

No Brasil, a Fundação Gates financia aproximadamente 30 projetos, voltados especialmente ao combate a vírus, como o zika e o causador da malária e febre amarela, além de apoiar mulheres grávidas vivendo em condições de risco. 

“A Fundação Gates, em parceria com o Ministério da Saúde, tem demonstrado cada vez mais interesse por financiar bons projetos no Brasil”, garante Claude Pirmez, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e gerente do programa de redução da prematuridade e desenvolvimento saudável de crianças da Fundação Gates.

Esta iniciativa, segundo ela, recebeu financiamento de R$ 8,4 milhões na primeira fase, em 2014, e R$ 11 milhões, na segunda etapa, este ano. Trata-se do maior projeto de Bill e Melinda no País e funcionará até a segunda metade de 2017. Os projetos financiados pela Fundação Gates no Brasil fazem parte do Grand Challenges Explorations (GCE), lançado em 2008 em 60 países. A proposta é transformar ideias inovadoras em soluções para graves problemas mundiais. No total, 1.140 projetos já foram financiados, sete deles no Brasil. A cada ano são realizadas duas chamadas públicas, com diferentes tópicos e desafios.

Os projetos recebem US$ 100 mil, ao longo de 18 meses, para colocar a proposta em prática. Se a ação implementada for bem-sucedida, é possível se inscrever para um financiamento adicional de US$ 1 milhão. “Em muitos campos de pesquisa, como no desenvolvimento de novas epidemias, como ebola, zika e gripes raras, o apoio financeiro de fundações como a de Melinda e Bill Gates já superaram os investimentos feitos por alguns governos”, diz o pesquisador Ni Jinren, da Universidade de Tsinghua, em Pequim, um dos mais ativos centros de desenvolvimento de vacinas no mundo.

Outro acordo da Fundação Gates com o Ministério da Saúde e a Fiocruz, firmado em 2013, recebeu financiamento de pouco mais de R$ 12 milhões para a produção da primeira vacina dupla contra sarampo e rubéola exclusiva para exportação. Desde então, cerca de 30 milhões de doses foram enviadas às Nações Unidas (ONU), que repassou os produtos para campanhas de imunização em países em desenvolvimento na Ásia, na África e na América Latina. “É impossível imaginar que as doenças e a miséria poderão ser combatidas apenas por meio dos governos, sem o comprometimento de empresas e doadores individuais”, afirma Vicente de Paula Faleiros, professor da UnB e especialista em filantropia. “É como acreditar que alguém pode sair do buraco puxando para cima os próprios cabelos.”

A julgar pela ação de Melinda e Bill Gates e a proliferação da cultura de filantropia entre os bilionários de vários países, a iniciativa privada complementará cada vez mais o papel dos governos na solução dos grandes problemas que afligem a humanidade (leia reportagem sobre esse movimento no Brasil, à pág. 40). Felizmente, o chamado capitalismo consciente está ganhando adeptos no mundo todo. Faz sentido. Como disse o falecido fundador da Apple, Steve Jobs, quando questionado o que pensava sobre as doações que Bill Gates havia começado a fazer: “Acho que o mundo é um lugar melhor desde o dia em que Bill percebeu que o objetivo dele não é ser o cara mais rico no cemitério.”

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“Não damos dinheiro. Criamos condições para que as pessoas saiam da dificuldade”

À primeira vista pode soar contraditória a declaração de que Melinda Gates não enxerga com bons olhos a distribuição de dinheiro aos mais pobres. Seu discurso, no entanto, faz sentido quando ela explica que o apoio a projetos por meio de financiamentos da Fundação Gates vai muito além disso. Melinda contou em palestra em São Francisco e também à DINHEIRO o que pensa sobre combate à pobreza e a redução da desigualdade:

O aumento dos recursos voltados à filantropia pode criar, no longo prazo, a sensação de que sempre haverá programas de assistencialismo à disposição dos mais pobres?
O assistencialismo pode fazer mal às pessoas. Mas não é disso que se trata. Nós não damos dinheiro para as pessoas, mas criamos condições para que elas saiam das situações de dificuldade. Oferecemos as ferramentas para que elas encontrem suas próprias soluções. Ou seja, financiamos programas de geração de renda. Não somos a renda.

O que pensam seus três filhos sobre o desejo seu e de Bill Gates de doar quase toda a fortuna?

Eles apoiam e sabem que terão o suficiente para viverem bem. Nossos filhos nos acompanham em nossas viagens pela África e sabem o que está acontecendo lá. Ter comida na mesa e água limpa para beber são essenciais. Em casa, sempre acreditamos que ajudar aos que precisam não era uma opção, mas a única coisa a fazer.

As mulheres estão conseguindo ampliar seu espaço no mercado de trabalho e na sociedade?

Não existe bala de prata para resolver a questão da desigualdade de gênero. É preciso investir na formação acadêmica das mulheres desde o ensino básico. Temos que incluir nas grades curriculares aulas de ciência da computação, de administração, de ciências. O mercado de trabalho na área de tecnologia é um dos mais democráticos que existem, mesmo assim há diferenças entre os salários dos homens e o das mulheres.

Quando esse cenário deve mudar?

É difícil dizer. Os países mais justos e avançados são aqueles que conseguiram enxergar a importância da mulher para a formação da sociedade. A mulher, mais do que uma importante força de trabalho, é fundamental para a formação das próximas gerações. Não podemos minimizar a importância das mães na formação do caráter, no cuidado com a saúde e na educação dos filhos.

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Author: Lou H. Mello

Olha só, pessoal assíduo no meu blog profissional já está careca de saber quais são as minhas graduações e tentativas de pós, etc. Pessoalmente, dou pouco valor a tudo isso. É mais um mercado, apenas, onde as universidades acreditam ter o monopólio dos diplomas. Ledo engano. A ajuda é sempre muito relativa. Estudei a Bíblia e ainda o faço, dei aulas em várias escolas teológicas, até o pessoal encerrar minha carreira, nessa área. Acho que não me achavam adequado, sei lá. Legal mesmo, foi viajar por aí a pampa, com destaque à missão para a Albânia, em 1979 e países da África em 1981. Depois disso rodei muito pelos EUA e Europa, mas nada demais nisso. Tenho espírito missionário, acho, mas nos EUA estava mais interessado em fazer um pé de meia. Não deu certo. Mas aprendi muito por lá, onde há muito a aprender.
Atualmente, acalento o Projeto Corações Valentes e tento manter dois ou três clientes, aos quais presto consultoria na área de Desenvolvimento (Comunicação e Captação de Recursos), algo que aprendi com os norte-americanos, campeões nessa área, , sobretudo, com Dr. Dale W. Kietzman, meu mentor em marketing para organizações não lucrativas. Entretanto, e aos poucos, acho que estou de coisa com a mudança comportamental, de tanto buscá-la para mim mesmo. Culpado disso foi o Dr. Zenon Lotufo Jr, que investiu em minha pessoa, muito além do normal. Talvez 2017 me abra algumas portas nessa área,
Esse blog surgiu como a forma ideal para a prática de algo que sempre gostei muito de fazer, ou seja, escrever e me livrar dessa coisa interior que pressiona meu peito e pode me matar. Tenho alguns projetos de livros em andamento, quem sabe ainda edito um ou alguns deles, antes de fazer a travessia.
Gosto de escrever, de música, literatura em geral, educação, astronomia (minha segunda paixão secreta, Ih falei), educação física e, de vez em quando, dou um ou outro pitaco nessas áreas também. Sou o principal leitor de tudo que escrevo. Ter leitores sempre foi algo inimaginável, enfim.

Lou H. Mello

Olha só, pessoal assíduo no meu blog profissional já está careca de saber quais são as minhas graduações e tentativas de pós, etc. Pessoalmente, dou pouco valor a tudo isso. É mais um mercado, apenas, onde as universidades acreditam ter o monopólio dos diplomas. Ledo engano. A ajuda é sempre muito relativa. Estudei a Bíblia e ainda o faço, dei aulas em várias escolas teológicas, até o pessoal encerrar minha carreira, nessa área. Acho que não me achavam adequado, sei lá. Legal mesmo, foi viajar por aí a pampa, com destaque à missão para a Albânia, em 1979 e países da África em 1981. Depois disso rodei muito pelos EUA e Europa, mas nada demais nisso. Tenho espírito missionário, acho, mas nos EUA estava mais interessado em fazer um pé de meia. Não deu certo. Mas aprendi muito por lá, onde há muito a aprender.
Atualmente, acalento o Projeto Corações Valentes e tento manter dois ou três clientes, aos quais presto consultoria na área de Desenvolvimento (Comunicação e Captação de Recursos), algo que aprendi com os norte-americanos, campeões nessa área, , sobretudo, com Dr. Dale W. Kietzman, meu mentor em marketing para organizações não lucrativas. Entretanto, e aos poucos, acho que estou de coisa com a mudança comportamental, de tanto buscá-la para mim mesmo. Culpado disso foi o Dr. Zenon Lotufo Jr, que investiu em minha pessoa, muito além do normal. Talvez 2017 me abra algumas portas nessa área,
Esse blog surgiu como a forma ideal para a prática de algo que sempre gostei muito de fazer, ou seja, escrever e me livrar dessa coisa interior que pressiona meu peito e pode me matar. Tenho alguns projetos de livros em andamento, quem sabe ainda edito um ou alguns deles, antes de fazer a travessia.
Gosto de escrever, de música, literatura em geral, educação, astronomia (minha segunda paixão secreta, Ih falei), educação física e, de vez em quando, dou um ou outro pitaco nessas áreas também. Sou o principal leitor de tudo que escrevo. Ter leitores sempre foi algo inimaginável, enfim.

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