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A causa principal da maioria das dificuldades enfrentadas pelas ONGs.

Preparação eficaz
Preparação eficaz

Existia no Brasil, no início do século XXI, mais de 275 mil entidades privadas sem fins lucrativos. Isso representava em torno de 5% do total de empreendimentos e 1,5 milhão de empregos no País. (IBGE,2002)

A importância do Terceiro Setor pode ser entendida pela sua própria definição, pois é composta por organizações de natureza privada, sem ter como objetivo auferir lucro,  e visam benefícios coletivos ou públicos, apesar de não fazer parte do governo. Sob esta perspectiva, o trabalho das ONGs é um dos mais puros exercícios de cidadania, existentes.

Infelizmente, o Terceiro Setor enfrenta uma série de dificuldades para sobreviver e gerar os benefícios sociais almejados.

Através de uma pesquisa realizada por consultores ligados à GV, nessa época, constatou-se a concentração da maioria dessas dificuldades na captação de recursos e na administração das organizações não governamentais, como pode ser visto na seguinte tabela:

Dificuldade Votos %
Em captar recursos 45 36%
Na administração 24 19%
Em conseguir parcerias 21 17%
Na hora de elaborar projetos 21 17%
Em conseguir voluntários 10 8%
Em realizar eventos 5 4%

Não há, até onde se saiba, novas estatísticas oficiais sobre o crescimento das ONGs, no País. Fazendo um exercício de avaliação do quadro, estima-se um crescimento no total dessas organizações na ordem de 10% ao ano. Tal conclusão jogaria o total para cerca de 600 mil ONGs, em 2011, no território nacional.

Entretanto, acompanhando as reclamações e reivindicações mais constantes do pessoal da área, perceber-se claramente como o quadro de necessidades acima não se alterou significativamente.

Embora essas sejam as principais dificuldades enfrentadas pelo pessoal da linha de frente nessas organizações, continuo acreditando ser a principal causa delas a preparação inadequada do pessoal envolvido. Em entrevista concedida pela Profª Célia Cruz ao jornal O Estado de S. Paulo, em 1994, ela afirmava haver necessidade de uma profissionalização no setor, e estava certa. Quase vinte anos depois, ainda estamos diante da mesma situação, com alguns novos agravantes.

Houve grande migração de profissionais de Administração e Marketing dos outros setores (governo e empresas lucrativas) para o terceiro setor, mas esse contingente migrou sem a preparação necessária, imaginando a suficiência de seu saber adequado para seus setores de origem, fossem adequados para exercer esses papeis no terceiro setor. Ledo engano e, para mim, esse detalhe faz uma diferença incomensurável.

Cursos e treinamento surgiram aos montes no mercado, tanto nas escolas de administração em marketing, como em associações ditas especializadas, fora miríades de cursos avulsos, geralmente, de iniciativa dos profissionais da área. Mas não há nenhum tipo de avaliação consistente sobre a eficácia dessas iniciativas todas. Pelo resultado geral, posso inferir haver muito a ser discutido e modificado para conseguirmos formar profissionais especializados em Terceiro Setor com um mínimo de solidez.

Em minha opinião, o quadro acima só poderá ser modificado através de educação competente. Precisamos formar profissionais capazes. Antes de mais nada, muitos envolvidos nesse tipo de formação, precisarão descer do pedestal e admitir suas próprias incompetências, se não me engano.

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