Curso Grátis aos interessados em trabalhar no Terceiro Setor – marketing e administração

Incrível o tamanho do contingente disponível de “mão de obra” para trabalhar no Terceiro Setor.

Não faz muito tempo que começou o bum de cursos e formações para futuros administradores e marqueteiros desse setor.

Acho que foi na metade da década de noventa (Final do Século XX) com a Profª Célia Cruz. Ela fez uma pós graduação no ramo, lá no Canadá (País onde graça a desgraça, com milhões de indigentes pelas ruas, de fazer-nos ter vergonha de nossa vergonha),  e voltou para o Brasil, onde arrumou uma vaga na FGVSP, para trabalhar com o tema. Depois conseguiu inserir um Press Reliese no Estadão e pimba, estartou a coisa toda, em 1994.

Devo ter esse artigo do estadão em algum lugar lá no porão. Nesse texto, ela chamou a atenção para a migração do pessoal do segundo setor na direção do terceiro, sem o devido treinamento. Claro que estava puxando sardinha para sua própria brasa.

Eu mesmo, tratei de achar um patrocinador (isso é comum para quem trabalha no setor) e fui fazer o curso da Célia Cruz na GV, em 1997. Foi algo surreal para mim, que fui discípulo do Dr. Dale Walter Kietzman, nessa área.

Só de experiência, ele trabalhou dezenove anos na Wicliffe (que depois virou Novas Tribos), aí pelos rincões das tribos indígenas brasileiras, fora doutorado em Antropologia pelo Wheaton College.

Também andei organizando uns cursos, naquela época. Trabalhei na Open Doors Mission onde a missão era, somente, entregar bíblias de graça a quem não tinha como adquirir uma, sobretudo nos países onde não havia liberdade religiosa e muito menos grana para comprar uma.

Naquele tempo, o problema da perseguição aos cristãos era imenso na chamada Cortina de Ferro, China, Laos, Cambodja, Vietnan e Cuba, claro, sem falar nos países onde a religião predominante é o Islã. 

Outra experiência, foi dirigir creches diretas da prefeitura na periferia de São Paulo.

Com o treinamento do Dale W. Kietzman, mais a experiência prática nessas entidades, consegui treinar alguns grupos de futuros captadores de recursos. Nosso método principal, naquele tempo era a Mala Direta. O Dr. Dale não cansava de me dizer que nunca me deixasse convencer que a Mala Direta não é o melhor meio disponível para captar recursos, apesar de todas as invenções que estão sempre aparecendo.

Depois disso, enfrentei várias outra experiências, a maioria em favor de crianças em situação de alto risco, mas também experimentei o trabalho de recuperação adolescentes e adultos usuários de drogas e álcool, durante um ano, dirigindo uma clínica com esse objetivo.

Com exceção da Open Doors e da Prefeitura de SP, era voluntário e, obviamente, sem qualquer registro empregatício e, muito menos, os devidos direitos. Essa é uma dica para quem ainda sonha em trabalhar nessa área, você precisará pensar bem se quer mesmo ser um voluntário.

No curso da Profª Célia e nos meus (quando eu ainda fazia isso) nós nunca ensinamos nossos alunos sobre o que fazer para se defender no caso de trabalho voluntário ( mais de 90% na realidade do Terceiro Setor).

Resultado, agora (em idade de aposentadoria) recebo um salário mínimo de ajuda ao idoso. Os caras poderiam, ao menos, colocar um nome mais digno no trem, tipo, Esmola a um ex-voluntário do Terceiro Setor. Se estiver pensando que virei demanda ao invés de solução, acertou. Vivo esmolando, agora, apesar do charme.

De lá para cá, o que surgiu de cursos para interessados em trabalharem no Terceiro Setor foi de uma grandeza incalculável. Hoje, o contingente de desempregados do Terceiro Setor (e a maioria nunca conseguiu uma única experiência, até hoje, se não me engano) é de uma grandiosidade só perdendo para os desempregados que vivem do Bolsa Família, sendo eles também, sócios do BF., na maioria.

Você deve estar pensando que, apesar dos milhares e milhares de sofredores que vemos pelas ruas, favelas (digo, comunidades), isso sem mencionar a situação nos estados ao norte do sudeste, só comparável à miséria da África inteira, se não for maior, haja espaço para todo esse contingente trabalhar em favor desses desfavorecidos.

Dificilmente, diria. Eles não estão preparados para tanto e muito menos dispostos a ser “voluntários”. Claro que estou mencionando só a fatia social do Terceiro Setor, que também engloba saúde, educação, cultura e esportes, embora a maioria não saiba disso.

Os que conseguiram alguma chance no Terceiro Setor, dentre todos os formados para tanto, mais de 95%, só fizeram cáca. Pudera, aprenderam com quem nunca colocou as mãos na massa, mas ostentam todos os diplomas possíveis e imagináveis.

Pior é a frustração que isso causa nas pessoas, depois que saíram, e agora estão lotando as clínicas públicas psiquiatras para tentar recuperar a sanidade, se tiverem quem lhes pague o tratamento.

Aos responsáveis por captar recursos para organizações cristãs, sem querer desanimá-los, se vocês estão fazendo seu trabalho segundo as concepções adotadas para as organizações do terceiro setor, a notícia não é nada boa, quase nada ou muito pouco do que eles fazem servirá para vocês. Tudo que vocês conseguirão será deixar suas convicções religiosas, afastar-se delas e nunca mais voltar para elas. Arrependam-se e peçam perdão a Deus, por tanto.

 

 

Author: Lou H. Mello

Olha só, pessoal assíduo no meu blog profissional já está careca de saber quais são as minhas graduações e tentativas de pós, etc. Pessoalmente, dou pouco valor a tudo isso. É mais um mercado, apenas, onde as universidades acreditam ter o monopólio dos diplomas. Ledo engano. A ajuda é sempre muito relativa. Estudei a Bíblia e ainda o faço, dei aulas em várias escolas teológicas, até o pessoal encerrar minha carreira, nessa área. Acho que não me achavam adequado, sei lá. Legal mesmo, foi viajar por aí a pampa, com destaque à missão para a Albânia, em 1979 e países da África em 1981. Depois disso rodei muito pelos EUA e Europa, mas nada demais nisso. Tenho espírito missionário, acho, mas nos EUA estava mais interessado em fazer um pé de meia. Não deu certo. Mas aprendi muito por lá, onde há muito a aprender.
Atualmente, acalento o Projeto Corações Valentes e tento manter dois ou três clientes, aos quais presto consultoria na área de Desenvolvimento (Comunicação e Captação de Recursos), algo que aprendi com os norte-americanos, campeões nessa área, , sobretudo, com Dr. Dale W. Kietzman, meu mentor em marketing para organizações não lucrativas. Entretanto, e aos poucos, acho que estou de coisa com a mudança comportamental, de tanto buscá-la para mim mesmo. Culpado disso foi o Dr. Zenon Lotufo Jr, que investiu em minha pessoa, muito além do normal. Talvez 2017 me abra algumas portas nessa área,
Esse blog surgiu como a forma ideal para a prática de algo que sempre gostei muito de fazer, ou seja, escrever e me livrar dessa coisa interior que pressiona meu peito e pode me matar. Tenho alguns projetos de livros em andamento, quem sabe ainda edito um ou alguns deles, antes de fazer a travessia.
Gosto de escrever, de música, literatura em geral, educação, astronomia (minha segunda paixão secreta, Ih falei), educação física e, de vez em quando, dou um ou outro pitaco nessas áreas também. Sou o principal leitor de tudo que escrevo. Ter leitores sempre foi algo inimaginável, enfim.

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