A liderança por meio de mentoreamento


A liderança por meio de mentoreamento enfoca o desenvolvimento pessoal das pessoas, através do poder de um relacionamento humano dentro de um encontro informal de vida-sobre-vida. Esse tipo de liderança funciona dentro de um relacionamento plano, e não um que seja hierárquico, em que as pessoas sejam controladas e recebam ordens, ditames e comandos que venham de cima. Líderes mentoreadores se conectam com as pessoas e se comprometem com elas a fim de acompanhá-las em sua caminhada. Fazem-se presentes para oferecer direção e apoio que ajude pessoas a alcançar algum alvo específico de vida ou liderança. O que é que caracteriza um relacionamento de mentoreamento? Deixe-me indicar pelo menos duas características:

  1. É uma liderança transformadora. Não se limita a ser meramente transacional. Líderes transacionais funcionam dentro de um sistema e da estrutura da mesma.  Lidam com os desafios e necessidades dos seus seguidores, lançando mão da arte da política e do toma-cá-dá-lá.

São sensíveis às preferências das pessoas, procurando sempre oferecer-lhes aquilo de que tenham necessidade. A abordagem deles parece atraente aos apetites consumistas dos homens e mulheres da atualidade, sempre à procura de algo para satisfazer os desejos do coração. Esses líderes se preocupam com a satisfação das pessoas.Os líderes transformadores “desenvolvem as vidas das pessoas ao seu redor, oferecendo-lhes estímulo intelectual e apresentando-lhes desafios significativos”.

A liderança mentoreadora não mantém a situação atual. Ela trabalha para mudar os liderados, especialmente quanto à formação do seu caráter para que desejem ser conformados à imagem de Jesus Cristo.

Líderes transformadores oferecem consolo aos atribulados, mas não hesitam em cutucar os conformistas. Sua tarefa não é produzir uma grande igreja e sim, desenvolver uma comunidade de pessoas que ousem viajar pelo caminho menos popular e nadar contra a maré.

Além disso, a liderança por meio de um mentoreamento transformador envolve mudanças radicais quanto à ênfase no processo de liderar.

Em primeiro lugar, é uma mudança do informar para o investir.Hoje em dia, o treinamento e orientação de líderes ministeriais geralmente pende para o lado da transferência de informações.

Treinados por líderes de grandes ideias no seminário e na universidade, tornam-se competentes para fornecer informações que desenvolvam “cristãos intelectuais”.

Devido à proliferação de congressos e conferências cristãs, programas de discipulado baseados em textos impressos têm desenvolvido cristãos muito bem informados quanto a todos os mais conceituados recursos e matérias de discipulado. Infelizmente, uma semana após o congresso eles se lembrarão de apenas 10% do que ouviram, e pouco disso será posto na prática em sua maneira de viver e liderar.

A liderança por mentoreamento investe no desenvolvimento de pessoas. É um processo lento de se comunicar os recursos da graça através de cuidar e confrontar, conversar e capacitar, instruir e entusiasmar, durante horas em que comam e bebam juntos, caminhem e viajem, orem e ministrem juntos.

Jesus investiu três anos em um pequeno número de discípulos escolhidos – compartilhando com eles histórias e parábolas, enviando-os a experimentar o ministério, repreendendo-os e reafirmando o seu amor por eles, orando e intercedendo pelo seu crescimento e sua proteção do Maligno.

Líderes transformadores fazem uma diferença nas vidas de outros por pacientemente investir suas vidas em uns poucos que se disponham a submeter-se à sua orientação. Não adotam uma abordagem do tipo “conserto relâmpago”.

Como no caso do fazendeiro, esses líderes transformadores esperam com paciência enquanto vão cuidando e cultivando aquilo que semearam. Mais tarde, as pequenas sementes do mentoreamento investido nas pessoas produzirão um grande crescimento.

O começo será lento, mas ao ganhar impulso, o processo crescerá como bola de neve. Dessa maneira, a vida e a liderança de líderes mentoreadores poderá ir passando de uma geração para outra.

A segunda mudança é do administrar para o servir de exemplo.

A liderança transacional enfoca a administração de programas. Muitos desses líderes se encantam com os programas badalados que prometem megacrescimento da igreja, como, por exemplo: PDL, G12, Willow Creek, etc.

O que eles deixam de entender, porém, é que não importa a excelência dos programas, se as pessoas não estiverem crescendo espiritualmente, a liderança certamente irá fracassar. Os programas serão bons somente na medida em que resultarem em pessoas crescerem no seu amor pelo Senhor.

Os líderes transformadores exemplificam aquilo que ensinam. Servem de modelos do que seja a vida em Cristo. Enfocam o desenvolvimento de pessoas por meio da cultivação da sua espiritualidade.

Não existe melhor maneira de se fazer isso do que seguir o exemplo da vida de Cristo. Paulo disse em várias ocasiões, “suplico-lhes que sejam meus imitadores” (1Co 4.16-17). Podia dizer isso sem hesitar porque ele próprio era imitador de Cristo (1Co 11.1).

Os mentores lideram por exemplificar a vida de Jesus. Trata-se de uma liderança imitadora que influencia outros pela maneira em que o próprio líder conduz a sua vida.

  1. É uma liderança relacional.

Muitos pensam na liderança em termos de tarefas a serem realizadas. Por essa razão, muitos líderes se azafamam para cumprir suas tarefas ministeriais. Enfocam os seus alvos. Dão suma importância ao seu desempenho. Ora, todas essas práticas são importantes para quem lidera. Mas se os líderes não construírem as suas tarefas em torno de relacionamentos autênticos, o produto de todo esse trabalho muitas vezes cairá em pedaços.

Grandes igrejas começam a entrar em declínio por falta de relacionamentos entre os líderes. Rachas em igrejas geralmente resultam de conflitos entre os líderes. Líderes relacionais não ignoram a tarefa a ser realizada. Mas eles também tocam nas vidas das pessoas, não por meio do seu carisma mas através do caráter; não pela sua competência mas pela genuína preocupação com o crescimento das pessoas no Senhor.

Os líderes relacionais trabalham com uma equipe. Líderes que mentoreiam são “jogadores de equipe” que formam um relacionamento caracterizado por cuidar e capacitar. Aprendem a dar ouvidos um ao outro. Confiam e se tornam transparentes. Para que isso aconteça, os líderes precisam deixar de simplesmente presidir a uma junta, ao invés disso desenvolvendo uma comunidade de líderes. Precisam esforçar-se para criar um clima em que reine a graça de tal forma que as pessoas se sintam seguras para ser elas mesmas.

Os líderes devem demonstrar o seu cuidado, não somente por se interessar pelo desempenho das pessoas, mas também por se preocupar com suas vidas pessoais. Mentores trabalham ao lado daqueles a quem estejam liderando.

O Caminho do Progresso: O seu desafio é que se cerque de pessoas que possam ajudar você a desenvolver o caráter; possam servir de treinadores para capacitar você com relação à sua vida e desafios como líder; e possam cuidar de você nas horas de problema e dor. Deixe que eu sugira alguns passos para ajudar você a se capacitar para ser um líder mentoreador.

  • Encontre um mentor. Líderes mentoreadores são pessoas que por sua vez, estão sendo mentoreadas. Viver sob mentoreamento deve ser algo para a vida inteira. Mesmo John Stott, quando já tinha mais de 80 anos, disse que se submetia a um grupo de presbíteros a quem prestava contas, considerando-os seus amigos, parceiros e companheiros de viagem no mesmo caminho do Senhor.
  • Forme relacionamentos com a sua equipe de liderança.

  • Compartilhe os seus insucessos. Mentores aprendem a não esconder as suas fragilidades.
  • Comece a investir em uns poucos jovens para ajudá-los a crescer por meio do discipulado.
  • Ÿ Melhore a sua capacidade de interagir com pessoas. Fale menos; escute mais. Toque nos corações das pessoas; não se contente com simplesmente ensinar coisas para suas cabeças.
  • Ÿ Permita que Deus mentoreie você todos os dias. Gaste tempo em silêncio e solidão, meditação nas Escrituras, autoexame e oração.

Tradução: Lowell Bailey. Fonte: Mentoring for Life & Leadership (Mentoreamento para Vida e Liderança) por Herman A. Moldez © 2009 publicado nas Filipinas por Church Growth Ministries, Inc. (CGM) e Action International Ministries (ACTION). Páginas 18-23 editadas e reproduzidas com permissão. E-mail do autor: phmentorlink@gmail.com

Author: Lou H. Mello

Olha só, pessoal assíduo no meu blog profissional já está careca de saber quais são as minhas graduações e tentativas de pós, etc. Pessoalmente, dou pouco valor a tudo isso. É mais um mercado, apenas, onde as universidades acreditam ter o monopólio dos diplomas. Ledo engano. A ajuda é sempre muito relativa. Estudei a Bíblia e ainda o faço, dei aulas em várias escolas teológicas, até o pessoal encerrar minha carreira, nessa área. Acho que não me achavam adequado, sei lá. Legal mesmo, foi viajar por aí a pampa, com destaque à missão para a Albânia, em 1979 e países da África em 1981. Depois disso rodei muito pelos EUA e Europa, mas nada demais nisso. Tenho espírito missionário, acho, mas nos EUA estava mais interessado em fazer um pé de meia. Não deu certo. Mas aprendi muito por lá, onde há muito a aprender.
Atualmente, acalento o Projeto Corações Valentes e tento manter dois ou três clientes, aos quais presto consultoria na área de Desenvolvimento (Comunicação e Captação de Recursos), algo que aprendi com os norte-americanos, campeões nessa área, , sobretudo, com Dr. Dale W. Kietzman, meu mentor em marketing para organizações não lucrativas. Entretanto, e aos poucos, acho que estou de coisa com a mudança comportamental, de tanto buscá-la para mim mesmo. Culpado disso foi o Dr. Zenon Lotufo Jr, que investiu em minha pessoa, muito além do normal. Talvez 2017 me abra algumas portas nessa área,
Esse blog surgiu como a forma ideal para a prática de algo que sempre gostei muito de fazer, ou seja, escrever e me livrar dessa coisa interior que pressiona meu peito e pode me matar. Tenho alguns projetos de livros em andamento, quem sabe ainda edito um ou alguns deles, antes de fazer a travessia.
Gosto de escrever, de música, literatura em geral, educação, astronomia (minha segunda paixão secreta, Ih falei), educação física e, de vez em quando, dou um ou outro pitaco nessas áreas também. Sou o principal leitor de tudo que escrevo. Ter leitores sempre foi algo inimaginável, enfim.

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