Arrecadação na rua aumenta captação de recursos de ONGs no Brasil

  • Márcio Padrão/BOL


    Kauê Freitas, 28 anos, e Thaina de Morais, 23, trabalham como captadores de doadores da Unicef em SP

Uma cena que vem se tornando comum para quem caminha pelas ruas de São Paulo é se deparar com uma pessoa simpática, que vai ao encontro do pedestre e puxa uma conversa descontraída para então se revelar um captador de doadores para alguma ONG (Organização Não Governamental). Seu objetivo é explicar à pessoa abordada a importância da causa defendida pela ONG em questão e perguntar se ele ou ela gostaria de se tornar doador fixo da entidade, via cartão de crédito.

Com o Natal se aproximando, vale a pena pensar duas vezes antes de dispensar os simpáticos sujeitos de coletes coloridos, pois eles podem ser uma chance para você fazer o bem ou contribuir com projetos humanitários.

Muitos não sabem, mas essa tática tem nome e origem no chamado terceiro setor: é a arrecadação “face-to-face” (cara a cara, traduzido do inglês) e estima-se que tenha surgido na Áustria em 1993 por iniciativa da ONG ambiental Greenpeace. Outros países da Europa e os Estados Unidos não tardaram a praticar o face-to-face devido à grande eficácia e aceitação da abordagem perante o público.

No Brasil, as entidades entrevistadas pela reportagem realizam esse tipo de arrecadação principalmente em São Paulo, mas aos poucos se espalham pelo território nacional. A Unicef também já atuou no Rio de Janeiro, Curitiba e em algumas cidades de Minas Gerais. A Aldeias Infantis SOS abrange 12 Estados e o Distrito Federal.

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Os protestos do Greenpeace200 fotos

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3.dez.2013 – Ativistas do Greenpeace disfarçado de urso polar protesta contra a empresa russa Gazprom, em frente ao hotel Presidente Wilson, onde acontece a conferência Global Energy, em Genebra, Suíça Salvatore Di Nolfi/EFE

Resultados positivos

As organizações são unânimes ao afirmar que o face-to-face elevou significativamente a quantidade de doadores, aumentando assim a verba de suporte aos seus respectivos projetos. “Antes do face-to-face, em 2009, contávamos com 3 mil doadores no Brasil; hoje, são 40 mil”, exemplifica Victor Graça, gerente executivo de desenvolvimento institucional da Fundação Abrinq, que faz parceria com a ONG internacional Save the Children em projetos de incentivo à educação, saúde e proteção às crianças.

“Se comparado aos métodos tradicionais, como a arrecadação pela internet, a mala direta e anúncios publicitários, o face-to-face traz uma taxa mais alta de retenção de doadores, além de ser um método que mostra o trabalho da ONG a muitas pessoas”, analisa Filipe Páscoa, diretor de mobilização de recursos e comunicação da Aldeias Infantis no Brasil.

A entidade, que visa a atender crianças em situação de vulnerabilidade social cuidando delas temporariamente até que a família possa acolhê-las novamente, possui hoje 1.500 doadores no país, mas o objetivo é aumentar esse número para 30 mil até 2015. Entretanto, cerca de 60% dos recursos que chegam à ONG ainda vêm de doadores de outros países. “É curioso: apesar da crise financeira na Europa e o Brasil sendo vendido como um país próspero, os europeus seguem escolhendo o Brasil e outros países mais pobres para focar suas doações”, acrescenta Páscoa.

Os chamados captadores de doadores são profissionais remunerados que podem ser recrutados pela própria ONG – como ocorre com o Greenpeace Brasil – ou por empresas que terceirizam esse serviço, como a Appco e a International Fundraising. “Esses agentes precisam ser muito dinâmicos, proativos, ter muito boa comunicação com as pessoas na rua e ter uma atitude ética, pois o resultado do seu trabalho ajuda as ONGs a colocar em prática os seus projetos”, explica Alberto López Blanco, CEO da International Fundraising, com sede na Espanha.

As organizações garantem transparência no uso do dinheiro coletado, incluindo a arrecadação por doadores pessoas físicas. “Todo recurso arrecadado é usado nos nossos programas no Brasil e no mundo. Nós enviamos boletins trimestrais, recibo e relatório anual”, detalha Regina Gerbi, coordenadora do programa de mobilização de recursos da Unicef no Brasil.

Críticas

Mas nem tudo são flores nesse aspecto. Afinal, há quem ache que a técnica seja incômoda, pois não é raro que as pessoas abordadas pelos captadores demonstrem pressa e impaciência para parar e ouvir o que eles têm a dizer. Além disso, há a desconfiança de dar os dados do cartão de crédito, ou mesmo a impossibilidade financeira de se tornar um doador fixo. Geralmente o captador pede uma contribuição mínima – o valor varia conforme a ONG, mas fica em torno de R$ 25.


  • O captador Kauê Freitas, 28 anos, aborda pedestre para pedir doações para a Unicef

“O captador usa um tablet ali mesmo, para enviar as informações do doador com segurança. A gente explica a importância de se ter doações contínuas para manter a organização, pois o Greenpeace não conta com nenhuma ajuda de empresas, apenas de doadores físicos”, justifica Fabiana Chalhoub, coordenadora de diálogo direto do Greenpeace no país. “Dizemos que, se você não está confortável para doar assim, não doe. Também temos a forma de doação única, por meio do nosso site”, complementa Victor Graça, da Fundação Abrinq.

Já os captadores têm que se virar para chamar a atenção das pessoas nas ruas sem perder o respeito e o bom humor. “No começo a gente ouve uns desaforos, mas precisamos entender que não é assim sempre. E temos que lidar com o fato de que, das 1.000 pessoas que abordamos todo dia, só umas 200 nos ouvem e três a cinco se tornarão doadoras”, diz o captador da Unicef Kauê Freitas, 28 anos.

A reportagem acompanhou Freitas e a colega Thaina de Morais, 23 anos, durante uma hora, no período de almoço, no cruzamento da avenida Angélica com a Higienópolis, em São Paulo. Apesar de poucos de fato pararem, as pessoas que os evitavam sorriam em resposta à tentativa. “A melhor desculpa que ouvi foi de um cara que disse: ‘Não posso parar porque estou todo cagado'”, disse Freitas. “Teve outro que só parou para dizer que não estava prestando atenção no que eu dizia porque me achou muito bonita”, relembra, rindo, a carioca Thaina.

Os que pararam naquele momento elogiaram a atuação da dupla. “Foi bem descontraído. É difícil eu parar por qualquer coisa, mas ele (Kauê) conseguiu”, disse o supervisor de segurança Sérgio Aguiar. “Ele está de parabéns, me cativou bastante”, afirmou a faxineira Neide Carvalho.

BALANÇO DAS ONGs * Quanto arrecada? Por quais meios? Como os recursos são distribuídos?
Aldeias Infantis SOS R$ 30,4 milhões em 2011 R$ 22,4 milhões de doações internacionais; R$ 3,9 milhões de subsídios governamentais; R$ 3,3 milhões de doações nacionais R$ 17,5 milhões em despesas com pessoal; R$ 12,1 milhões com despesas gerais e administrativas; R$ 1,2 milhão com outras despesas. A ONG realiza 20 programas para famílias, comunidades, defesa de direitos e ações voltadas à saúde e nutrição, centros educacionais e promoção de direitos das mulheres, além do auxílio em emergências, em 12 Estados brasileiros e no Distrito Federal
Fundação Abrinq – Save the Children R$ 24,3 milhões em 2012 R$ 8,3 milhões de doações a projetos; R$ 2,4 milhões de contribuições ao Programa Nossas Crianças; R$ 8,7 milhões de contribuições e mensalidades; R$ 1 milhão em receitas financeiras; R$ 3,4 milhões via trabalho voluntário R$ 8,3 milhões em projetos; R$ 2,4 milhões no Programa Nossas Crianças; R$ 9,2 milhões em gastos gerais e administrativos; R$ 3,4 milhões em apropriação do trabalho voluntário
Greenpeace Brasil R$ 21,6 milhões em 2012 R$ 12,6 milhões de contribuições do Greenpeace Internacional e R$ 8,7 milhões de captação nacional R$ 8,7 milhões em campanhas; R$ 2,2 milhões em informação pública e difusão; R$ 5,4 milhões em relacionamento com colaboradores; R$ 3,6 milhões no organizacional da ONG
Unicef R$ 29,3 milhões em 2012 34,1% de doações individuais; 23,7% de alianças corporativas; 23,5% de outras organizações; 18% da sede da Unicef em Nova York e de comitês R$ 13,6 milhões em programas de políticas públicas; R$ 4 milhões em programas para adolescentes; R$ 2,7 milhões no combate à violência; R$ 3,4 milhões contra a mortalidade infantil; R$ 1,4 milhão no combate a HIV/aids; R$ 3,9 milhões em programas educacionais

* Dados de relatórios de prestação de contas disponibilizados pelas entidades em seus respectivos sites oficiais

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Inglês tenta bater 12 recordes em 12 horas para ajudar ONGs11 fotos

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Um ex-jogador da seleção inglesa de críquete tenta bater 12 recordes mundiais em 12 horas. Andrew Flintoff corre contra o relógio para ajudar várias ONGs britânicas, em um projeto chamado Sport Relief. Na foto, ele bate o recorde de menor tempo andando 100 metros em um pedalinho
Justin Tallis/AFP

 

Fonte: UOL Notícias Cotidiano

LHM - Desenvolvimento
LHM – Desenvolvimento

Author: Lou H. Mello

Olha só, pessoal assíduo no meu blog profissional já está careca de saber quais são as minhas graduações e tentativas de pós, etc. Pessoalmente, dou pouco valor a tudo isso. É mais um mercado, apenas, onde as universidades acreditam ter o monopólio dos diplomas. Ledo engano. A ajuda é sempre muito relativa. Estudei a Bíblia e ainda o faço, dei aulas em várias escolas teológicas, até o pessoal encerrar minha carreira, nessa área. Acho que não me achavam adequado, sei lá. Legal mesmo, foi viajar por aí a pampa, com destaque à missão para a Albânia, em 1979 e países da África em 1981. Depois disso rodei muito pelos EUA e Europa, mas nada demais nisso. Tenho espírito missionário, acho, mas nos EUA estava mais interessado em fazer um pé de meia. Não deu certo. Mas aprendi muito por lá, onde há muito a aprender.
Atualmente, acalento o Projeto Corações Valentes e tento manter dois ou três clientes, aos quais presto consultoria na área de Desenvolvimento (Comunicação e Captação de Recursos), algo que aprendi com os norte-americanos, campeões nessa área, , sobretudo, com Dr. Dale W. Kietzman, meu mentor em marketing para organizações não lucrativas. Entretanto, e aos poucos, acho que estou de coisa com a mudança comportamental, de tanto buscá-la para mim mesmo. Culpado disso foi o Dr. Zenon Lotufo Jr, que investiu em minha pessoa, muito além do normal. Talvez 2017 me abra algumas portas nessa área,
Esse blog surgiu como a forma ideal para a prática de algo que sempre gostei muito de fazer, ou seja, escrever e me livrar dessa coisa interior que pressiona meu peito e pode me matar. Tenho alguns projetos de livros em andamento, quem sabe ainda edito um ou alguns deles, antes de fazer a travessia.
Gosto de escrever, de música, literatura em geral, educação, astronomia (minha segunda paixão secreta, Ih falei), educação física e, de vez em quando, dou um ou outro pitaco nessas áreas também. Sou o principal leitor de tudo que escrevo. Ter leitores sempre foi algo inimaginável, enfim.

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