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Ryan Hreljac

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Nós deveríamos acreditar mais nas crianças. Por diversas vezes ignoramos sua capacidade ou dizemos que elas estão sonhando demais quando querem mudar o mundo.

Ryan Hreljac, canadense, nascido em 31 de maio de 1991 (mais novo que muitos leitores PdH, não?), desde pequeno desejava um mundo mais justo e não entendia o motivo de tantas pessoas morrerem de sede ou por água contaminada na África. O cara já beneficiou mais de 700.000 vidas.

A aula onde tudo começou

Com apenas seis anos, Ryan Hreljac estava assistindo uma aula na sua escola em Kemptville, Canadá, quando a professora disse que todos os anos milhares de crianças africanas ficavam doentes ou morriam por ingerir água contaminada. As condições de saneamento eram péssimas e as crianças tinham que andar vários quilômetros por dia para conseguir um pouco de água. Suja e escura, longe de ser potável.

Ryan se comoveu com a história, pois ele tinha água limpa a hora que quisesse, sem nenhum esforço, bastava abrir a torneira. Perguntou para sua professora qual o valor que precisaria para levar água para as crianças africanas e ela se lembrou da ONG WaterCan que perfurava poços na África e que um poço pequeno deveria custar cerca de 70 dólares.

Ryan chegou todo animado em casa e disse para sua mãe, Susan, que precisava de 70 dólares para construir um poço para as crianças da África. Ela não lhe deu o dinheiro de imediato e informou que ele teria que fazer tarefas domésticas por um bom tempo para poder arrecadar esse valor. O pequeno garoto trabalhou durante 4 meses até conseguir o dinheiro. Isso o fez se sentir muito mais produtivo, participativo e ligado à causa do que se tivessem lhe dado a quantia logo de cara.

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O problema (fonte: @ryanswell)

Ryan e sua mãe foram até a WaterCan, mas parece que às vezes o mundo se recusa a receber nossos presentes para testar a motivação de nossa generosidade. Na ONG informaram ao garoto que somente a bomba manual custava 70 dólares! Para a perfuração do poço o valor era 2.000 dólares. Susan disse que não poderia lhe dar esse dinheiro, nem que ele fizesse tarefas domésticas a vida toda. Ryan falou que voltaria em breve com o dinheiro.

A energia e determinação de Ryan animaram vizinhos, irmãos e amigos. Todos se propuseram a trabalhar, vender produtos e conseguir doações. Em pouco tempo arrecadaram 700 dólares e a WaterCan prometeu que completaria o restante do valor.

“Eu adoro ouvir mais exemplos de pessoas que apenas fizeram o que elas queriam fazer e não ligaram se não iriam resolver o problema todo ou não iriam fazer o maior impacto sobre o mundo, mas foram ingênuas o suficiente para fazer o que eu fiz quando eu tinha seis anos. E é incrível o que pode acontecer ao longo do tempo.”

O poço que beneficiou milhares de vidas

Em 1999, o tão almejado poço foi construído na Angolo Primary School, em Uganda, beneficiando milhares de pessoas com água potável. A história, porém, não termina aí. Essa foi apenas a realização de uma pequena parte do sonho de Ryan.

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Depois da construção do poço, foi feita uma parceira entre a escola do Canadá (Holy Cross Public School ) e a de Uganda (Angolo Primary School), pela qual as crianças podiam trocar correspondências. Numa dessas correspondências Ryan conheceu Jimmy Akana, um garoto que antes da construção do poço tinha que andar oito quilômetros para buscar água imunda. O recipiente que Jimmy carregava era pequeno, tinha no máximo capacidade para 10 litros, assim ele tinha que fazer várias viagens para completar o pote que tinham em casa e só depois ir à escola.

Ryan ficou emocionado com o que Jimmy lhe contou. As correspondências já não eram suficientes: queria conhecê- lo pessoalmente, sentir a realidade dele e das outras crianças. Os pais de Ryan percebiam que mesmo com a construção do poço, o filho não parava e continuava dedicado, lutando por mais doações e com muito esforço financeiro lhe presentearam com uma viagem para Uganda.

Em 2000, Ryan, seus pais e o guia chegaram de caminhonete por uma estrada de terra ao pequeno vilarejo onde foi construído o poço. Ryan ficou surpreso, pois havia milhares de crianças enfileiradas batendo palmas para ele. Os líderes do aldeia levaram Ryan até o poço e lhe pediram pra ler o que estava escrito no concreto:

“Poço de Ryan. Financiado por Ryan Hreljac. Para a comunidade de Angolo”.

 


Link YouTube | A primeira visita ao primeiro poço

“Esta experiência ajudou-me muito. Aprendi que somos todos iguais. Aprendi que as crianças precisam de certas coisas para viver com saúde e felizes, independentemente do lugar. Precisam de alimentos suficientes para comer e de água para sobreviver. Precisam de ter condições para ir às aulas e oportunidades para brincar e se divertir. Robustos e bem preparados, também eles poderão ajudar a humanidade inteira.”

A família Hreljac ganha um novo membro

Jimmy Akana, o africano que conheceu Ryan na primeira viagem que ele fez para Uganda, estava passando por maus bocados. No dia 20 de outubro de 2002, no meio da noite, Jimmy foi sequestrado violentamente pela Lord’s Resistance Army (LRA), um grupo rebelde que tentava derrubar o governo e que já tinha capturado mais de 20.000 crianças desde 1986, transformando crianças em soldados e forçando -as a matar e raptar pessoas do seu próprio povo.

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Ryan na sua primeira viagem até a vila

Desde a visita para Uganda, em 2000, os pais de Ryan, Mark e Susan Hreljac enviavam para Jimmy, roupas, livros e dinheiro para escola. Por um momento Jimmy desanimou e pensou que nunca mais veria Ryan e os pais dele, mas pra quem enfrentou a sede durante anos, escapar não parecia ser tão impossível assim. Jimmy fugiu da cordas e correu. Os soldados deram vários tiros, mas ele conseguiu se esconder na floresta.

Jimmy estava sem teto e sozinho, quando se lembrou de Tom Omach, gerente de projetos, que cresceu perto da vila dele e que organizou a primeira viagem de Ryan para a África. Jimmy chegou a casa de Tom muito assustado e ele prontamente abraçou o garoto e disse que não estavam seguros ali, pois algum vizinho amedrontado poderia denunciá-lo. Tom pedalou por sete quilômetros para a casa do tio de Jimmy e o deixou o garoto lá, dizendo que voltaria em breve para buscá-lo.

Tom Omach mandou uma email para Família de Ryan e todos ficaram preocupados com a situação, não conseguiam dormir e queriam que Jimmy viesse para Canadá o quanto antes. Depois de um plano bem sucedido, Jimmy finalmente chegou ao Canadá e foi morar na casa de Ryan. A permanência definitiva no país não foi nada fácil. Depois de muita papelada, empréstimo feito pela família Hreljac para contratar advogado e audiência com o juiz, Jimmy felizmente estava regularizado no país e podia ficar.

Hoje em dia, Jimmy é um membro permanente da família Hreljac, concluiu o ensino médio e se adaptou bem a nova língua e ao pais. Ele é o braço direito de Ryan na Fundação (Ryan’s Well Foundation), fazendo apresentações e oferecendo seu conhecimento no mundo todo sobre questões da água.

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Ryan e Jimmy hoje em dia

A Fundação de Ryan

A Ryan’s Well Foundation, criada em 2001, acaba de completar 10 anos. Ajudou a construir mais de 630 poços e 700 latrinas, levando água potável e serviços de saneamento básico para mais de 705.000 pessoas.

Ryan é reconhecido pela Unicef como Líder Global da Juventude e continua dedicado e empolgado com seu trabalho na Fundação, dando palestra em vários países, escolas, igrejas, clubes, eventos e conferências, falando de forma apaixonada sobre a necessidade de água limpa em todo o mundo. Ensina também a população local a cuidar corretamente dos poços e da água.

No site da fundação é possível fazer doações, conhecer os projetos e até receber dicas, passo a passo de como fazer seu próprio projeto e arrecadar fundos. Nem a distância é problema, pois eles também realizam palestra por Skype, basta entrar em contato.

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Poço no vilarejo Kulu Amik (fonte: @theryanswell)

Por Leonardo Costa

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Doar, a salvação da lavoura

Lou e o Livro Doar
Lou e o Livro Doar

Andando no Shopping Center Esplanada, (o maior da América Latina , talvez nos Estados Unidos e/ou Europa não haja igual em tamanho e qualidade), aqui em Sorocaba, terra de povo trabalhador, pródigo e com um senso de hospitalidade para baiano* algum botar defeito, ao passar por uma livraria cujo nome não me lembro, afinal são tantas, vi um livro do Bill Clinton na vitrine, cujo título é: “Doar, como cada um de nós pode mudar o mundo” (aqui para saber mais sobre o livro).

Pensei comigo, ali parado feito bobo: Não sei o que há dentro, mas a capa já é uma mensagem revolucionária. Bom, depois que o Bill foi despedido da Casa Branca e abriu uma ONG, ele pode ter aprendido alguma coisa, além de como fazer sexo com estagiárias, sem tocar nelas. Parece que angariar pessoas para sua causa, hoje em dia, lhe dá muito mais prazer do que suas furtivas experiências com as Mônicas da entediante vida presidencial, sem falar naquelas bobagens chatíssimas como economia mundial, armas atômicas, banquetes na Casa Branca, petróleo, etc.

Não li o livro ainda. Farei isso, assim que der. (Como você pode ver, isso mudou depois dessa postagem) Meu crédito junto às livrarias anda escasso. Adoro acompanhar a competição entre os blogueiros ricos para descobrir quem consegue ler mais livros da moda, em menos tempo. Esses caras são incríveis mesmo. Outro dia, li a lista de livros que um cara teria lido em um mês e calculei um gasto de R$ 2.000,00 com a brincadeira, por baixo. Nada como ser rico em um país onde a maioria de nós não anda muito satisfeita com o livro caixa. Sem falar nos conterrâneos abaixo da linha da miséria, esses não conseguem nem ler jornal velho, pois o peixeiro agora embrulha o peixe podre em sacola usada de supermercados.

Entretanto, Mr. Clinton, que agora é só o marido da Condoleezza branca, engraçado esses caras segregacionistas, presidente branco secretária de estado negra, presidente negro, secretária de estado branca, se o próximo presidente for um japonês a secretária de estado será uma índia, provavelmente. Mas falava do livro do Bill, e espero que ele não tenha estragado o título espetacular com trezentas páginas de bobagens, se bem que ele seja reconhecido como um senhor capaz de pensar algo mais, apesar de tudo.

Na verdade, a salvação para miséria financeira da maior parte da humanidade se resume nessa palavra: Doar. Já sei, caso alguém se disponha a comentar, mesmo sem a contrapartida em seu próprio blog (um pedágio incluso no contrato secreto da blogosfera), dirá algo em que nunca havia pensado, tal como: Não! Só Jesus salva.

Apesar da novidade e consistência da frase, nem Cristo poderá ou desejará, que a fome e a miséria se evaporem sem a nossa humilde participação. Ele e o pai dele têm outra razão menos confessável, na realidade, para desejar nosso envolvimento na erradicação desses detalhes menos importantes, através desse ato singelo, a doação: eles desejam, secretamente, consertar nossa tendência para a ambição desmedida, a cobiça pelas coisas do próximo e outra mania chamada avareza. Sim, porque esses traços em nosso perfil podem nos reservar lugar compulsório no inferno, onde há fogo e ranger de dentes, sem falar no cheirinho de enxofre.

Você pode escrever um livro sobre a pobreza e depois lançá-lo em alguma igreja do momento, com um debate onde outros pastores ricos e famosos contribuam com suas opiniões sobre o tema. Aliás, segundo o meu amigo Jorge do Canto do Jô, um desses senhores teria dito: problema que dinheiro resolve não é problema. Até comentei lá sobre os meus problemas haviam acabado, mas os três primeiros telefonemas recebidos hoje discordam completamente dele. Fizeram questão de me lembrar como meus problemas continuam e piores do que nunca cuja única solução é a raiz de todos os males: dinheiro.

Certamente, seiscentas pessoas comparecerão, nesse evento, e ainda doarão vinte toneladas de alimentos não perecíveis vencidos e roupas velhas para as vítimas da enchente provocada pela explosão do gasoduto da Petrobras (Eu avisei para não brincarem com essa porcaria, pois o brinquedo é explosivo). A estrada que dá acesso a Blumenau tem uma fila quilométrica de caminhões carregados dessas coisas vindas de todos os lugares, até os bambis (saopaulinos) mandaram um. Só um detalhe, as pessoas perderam seus parentes queridos e suas casas. Isso ninguém coletou, nem nos estádios do Morumbi, do Pacaembú e muito menos na Água Branca.

Doar é um gesto simples, mas às vezes pode doer. Jesus o via como um ato desesperado. Você tirar sua única túnica, em meio a um frio desgraçado, e dar a um maltrapilho andante que nem obrigado lhe dará, como fez o menino para quem doei o monitor velho que estava diminuindo nosso espaço aqui. Coitado estava mais dopado com cola do que podia agüentar sua vã vontade de coletar recicláveis dos nossos lixos.

Bom é isso. Você já deve ter notado como não estou de bom humor e é melhor parar por aqui. Posso dizer, digo, escrever coisas de cujo teor me arrependa amanhã. Se, depois disso, você ainda tiver coragem de aparecer em nosso encontro sobre desenvolvimento dia 09/12/2008, parabéns. Nesse encontro, conversaremos muito sobre doar. Creio que as pessoas envolvidas na missão de levar os outros a contribuir sejam sobrenaturalmente levantadas por Deus. Deve ser mais fácil morrer em uma cruz qualquer do que levar um rico a dividir qualquer coisa diferente das migalhas caídas de sua mesa farta.

*= os baianos são reconhecidos por sua incrível hospitalidade

Ops: Não deixe de ir ao nosso encontro sobre Fundraising. Veja aqui.

 

LHM - Desenvolvimento
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